Resumo Completo: Processo de Lubrificantes e Combustíveis
Aurélio Lamare Soares Murta
Visão Geral e Capacidade Produtiva
A fábrica opera com dois processos de fabricação principais: em batelada, utilizando tanques internos de 40 mil litros (“kettles”) com agitação mecânica, e o sistema ILB (Inline Blending), que permite a produção simultânea de diferentes produtos, como 20W50 e 15W40. A planta atingiu um recorde de produção de 29,6 milhões de litros em um mês, com uma produção diária de aproximadamente 1,5 milhão de litros, divididos entre produtos embalados (1 milhão L) e a granel (400-600 mil L).
Toda a operação é gerenciada por uma sala de controle centralizada com o sistema de automação da Yokogawa, que monitora 81 tanques em tempo real (nível, volume, status de bombas e válvulas), além dos processos de fabricação e carregamento.
Desenvolvimento, Formulação e Mercado
Composição e Formulação de Produtos
- Estrutura: Um lubrificante é composto por cerca de 80% de óleo básico e 20% de aditivos. O portfólio é desenhado pelo time da Fernanda para atender às características técnicas específicas de cada veículo ou maquinário industrial.
- Óleos Básicos: São classificados em grupos, onde um número maior indica melhor qualidade e resistência à oxidação.
- Grupo 1: Mineral (produção nacional – Reduc).
- Grupo 2: Mineral de maior qualidade (re-refino, como da Luarte, ou importado), mais resistente à oxidação.
- Grupo 3 e superiores (ex: PAO – Grupo 4): Sintéticos (majoritariamente importados, como os recebidos no terminal de São Cristóvão).
- Classificação do Lubrificante:
- Mineral: Geralmente composto por óleos básicos dos Grupos 1 e 2.
- Sintético: Composto por óleos básicos dos Grupos 3, 4, etc.
- Semissintético: Deve conter no mínimo 10% de óleo básico do Grupo 3, sendo os outros 70% do óleo básico geralmente do Grupo 2.
Gestão de Especificações e Tendências de Mercado
- Fatores de Influência: O desenvolvimento de novos produtos é guiado pela evolução tecnológica, normas internacionais (revisadas em ciclos de 3 a 5 anos, mas na prática a cada dois anos para órgãos internacionais), normas de montadoras (com frequências variadas), demandas de clientes e pela legislação e regulação da ANP, que define os níveis mínimos de qualidade permitidos no Brasil.
- Tendência: Motores modernos são cada vez menores e mais potentes, exigindo óleos de baixa viscosidade (ex: 5W30, 0W-20), o que impulsiona a demanda por óleos básicos sintéticos (Grupo 3+). Para esses óleos, o Brasil depende de importação.
Características para o Consumidor
- Identificação no Rótulo: Os lubrificantes são reconhecidos no mercado por três características principais no rótulo:
- Viscosidade (SAE): Ex: 0W-20, onde ‘W’ indica a viscosidade a frio (Winter) e o segundo número a viscosidade a quente.
- Nível de Desempenho (API): Ex: SP para motores a gasolina de veículos leves.
- Origem do Óleo: Indica se o lubrificante é mineral, semissintético ou sintético, refletindo a base do óleo.
- Recomendação de Uso: A recomendação principal é sempre seguir o manual do veículo, pois a engenharia do fabricante indica a condição de uso ideal, considerando fatores como o tráfego urbano. Motores modernos de veículos leves já não indicam mais o uso de óleo mineral. Usar um óleo de viscosidade inadequada (ex: óleo grosso em motor moderno) pode comprometer a lubrificação, forçar a bomba de óleo e até aumentar o consumo de combustível, como ilustrado pela analogia de beber milkshake com canudo de refrigerante.
Processo de Fabricação, Controle e Segurança
Controle de Qualidade (QC)
- Escopo: O laboratório de QC, estrategicamente localizado ao lado da fábrica, opera em três turnos (24/5) e analisa todas as etapas: desde o recebimento de insumos (óleos básicos, aditivos), passando pelo acompanhamento dos diferentes processos fabris, até a análise do produto final antes da expedição. Amostras-testemunha são armazenadas periodicamente, conforme exigência regulatória.
- Aprovação de Lotes: Amostras são enviadas ao laboratório para análise. O lote é bloqueado no sistema CPEC até a aprovação. Após a aprovação, o laboratório libera o lote, sinalizando com um “farol verde” no sistema, que autoriza a sala de controle a liberar o tanque para a próxima etapa, como o envase.
- Proficiência: A qualidade dos resultados é garantida pela participação em programas interlaboratoriais nacionais (ANP) e internacionais (ASTM), realizando comparativos estatísticos para manter a proficiência em todos os ensaios.
Sistemas de Segurança e Otimização
- Segurança Anti-transbordo: A fábrica possui sistemas de redundância para prevenir transbordamentos. Nos tanques fixos, radares de nível e um sistema “high, high, high” alertam sobre volumes críticos e, em caso de risco iminente de transbordo, desligam automaticamente todas as bombas da fábrica. Nos caminhões-tanque, sensores “Scully” na boca de carregamento também paralisam a operação se o nível for atingido, garantindo a segurança.
- Gestão de Perdas: A principal perda ocorre na limpeza de linhas ao trocar de produto. Este material não é descartado, mas segregado em “grupos de aproveitamento” (por exemplo, por cor, como para óleos corantes vermelhos) e reaproveitado em formulações específicas, otimizando o uso de matéria-prima e minimizando o desperdício.
Envase e Embalagem
A linha de envase é automatizada e possui capacidade para produzir cerca de 4,5 milhões de unidades por mês. As etapas incluem:
- Despaletização de frascos, removendo o plástico do pallet.
- Rotulagem utilizando uma máquina alemã (Kohl’s) com sensores que ejetam frascos sem rótulo ou mal posicionados, garantindo a qualidade antes de chegar ao cliente.
- Enchimento em uma máquina com 40 bicos.
- Fechamento com aplicação de tampas.
Serviços Pós-Venda e Análises Técnicas
Análise de Óleo Usado e Diagnóstico
- O serviço de pós-venda funciona como um “exame de sangue” para equipamentos, analisando o óleo usado para diagnosticar não apenas a saúde do lubrificante (para recomendar a troca), mas também a condição operacional do maquinário (identificando superaquecimento, desgaste excessivo ou consumo elevado de combustível).
- O laboratório possui a certificação internacional ISO 17025, que garante a confiabilidade e comparabilidade global dos resultados. A empresa busca inovar com diagnósticos em campo, utilizando sensores para análise online de temperatura e vibração, complementando a análise do lubrificante para uma visão mais abrangente da operação.
Análise de Combustíveis e Desafios do Biodiesel
- Problemas Relatados: O aumento do teor de biodiesel (atualmente B15, com cronogramas para B20 e B25) tem gerado queixas de frotistas sobre queda de rendimento, degradação (por ser de origem vegetal e absorver mais água), e formação de borra, exigindo maior cuidado com a drenagem de tanques e troca mais frequente de filtros.
- Testes Comparativos: A empresa realiza testes comparando HVO (em Porto do Açú) e biodiesel (em Santos), utilizando telemetria para monitorar a performance dos motores e fazer comparações.
- Colaboração com a ANP: Foi sugerido o compartilhamento periódico de dados técnicos anonimizados com a ANP para fornecer insumos técnicos à regulação futura do biodiesel, evitando um debate puramente comercial e contribuindo para a compreensão do comportamento do combustível em diferentes condições.
Algumas fotos:











